Constanza Matuk Nutrição Comportamental
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Enjoo na gravidez: estratégias alimentares que podem ajudar

Não existe uma estratégia que resolva o enjoo da gestação para todo mundo. Existe um conjunto de ajustes pequenos que, somados, costumam transformar um dia impossível num dia difícil — e depois num dia comum. Este texto é o roteiro prático desses ajustes.

Se você quer antes entender por que o primeiro trimestre é assim e o que de fato precisa ser garantido nessas semanas, comece por Primeiro trimestre: como comer quando tudo dá enjoo.

A regra que sustenta todas as outras

Estômago vazio piora o enjoo. Parece contraintuitivo — a última coisa que se quer fazer enjoada é comer —, mas o jejum prolongado aumenta a náusea, que dificulta comer, que prolonga o jejum. Quase todas as recomendações abaixo existem para quebrar esse laço.

Na prática: nunca deixe passar muito mais de duas ou três horas acordada sem colocar alguma coisa, por menor que seja, no estômago. Uma bolacha conta. Meia fatia de pão conta.

Um roteiro para o dia

Temperatura, textura e cheiro

No primeiro trimestre o olfato fica muito mais aguçado, e é frequente que o cheiro incomode mais do que o sabor. Três ajustes derivam disso:

Hidratação quando nem água desce

A desidratação é a complicação que de fato preocupa. Se a água pura está impossível, o caminho é variar temperatura, sabor e formato: goles pequenos ao longo do dia em vez de um copo cheio, água bem gelada ou em temperatura ambiente (teste as duas), água com limão ou gengibre, água de coco, chá fraco gelado, gelo mastigável, picolé de fruta, caldo salgado.

E lembre-se de beber entre as refeições: volume de líquido junto da comida enche o estômago e aumenta a náusea.

O que a evidência mostra

O que costuma piorar

Vale conhecer os gatilhos mais comuns para não tropeçar neles sem perceber: jejum longo, frituras e pratos muito gordurosos, cheiros fortes (perfume, cigarro, cozinha fechada), grandes volumes de líquido junto da refeição, deitar logo depois de comer, escovar os dentes imediatamente após as refeições — nesse caso, enxaguar a boca e adiar a escovação por meia hora resolve — e ficar em pé rápido demais ao acordar.

Quando não é só enjoo

Há um ponto em que a estratégia alimentar deixa de ser suficiente e o caso passa a ser médico. Procure o seu obstetra, sem esperar a próxima consulta, se você vomita tudo o que come e bebe por mais de 24 horas, perdeu mais do que uns 5% do peso com que começou a gestação, está urinando pouco ou muito escuro, sente tontura, palpitação ou fraqueza importante, ou se o enjoo aparece pela primeira vez depois da nona semana de gestação.

Hiperêmese gravídica tem tratamento — inclusive hidratação venosa e medicação segura na gestação. Aguentar calada não é virtude.

Por fim, uma nota que é a razão de eu escrever sobre isso: o enjoo do primeiro trimestre bagunça horários, comidas e a própria confiança de quem está grávida. Muita mulher chega ao consultório depois, no segundo trimestre, com a sensação de que "desaprendeu a comer". Não desaprendeu — atravessou um período em que comer era difícil. Retomar a regularidade, com gentileza, é o suficiente para o corpo voltar a se organizar.

Quer conversar sobre o seu momento?

A conversa é sem compromisso — me conte o que está acontecendo e eu te explico como o acompanhamento funcionaria no seu caso.

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Constanza Matuk · CRN-3 96039 · Este conteúdo é informativo e não substitui atendimento médico.